segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Detox

créditos? esse dente de leão está por todo canto 
Desintoxicar a vida.
Quando decidi vir pra cá, criou-se em mim uma imensa vontade de ser outra.
Poder (re)começar a (re)fazer a vida em outro lugar. Outro tempo e espaço.
E então um amiga me disse ( assim correndo, no meio do nosso primeiro almoço juntas): "também já pensei assim. Mas sabe, a gente se carrega pra onde vai".
Já faz quase um ano que me recordo (quase) diariamente dessa fala.
(incrível o poder que temos ao falar, hum?!)
Sim, sempre nos carregamos pra onde quer que vamos. Nós e nossa bagagem: indissociáveis.
Mas era isso mesmo que eu desejava, estar comigo mesma, (re)conhecer eu, eu mesma, euzinha.
E isso, para mim, era o siginificado de uma  nova vida, conseguir separar e abandonar o que não era eu.
E para isso acontecer, a Vida me colocou em outro continente, outro país, outra língua, outra paisagem, outro modo de viver.
Sem profissão, sem parentesco, sem história. A única coisa que sou aqui é "esposa dele".
 (Ego orgulhoso estrebuchando)
Reduzi minha bagagem ao mínino. Trouxe apenas 1 livro, comprado há muito e nunca lido, Pedagogia Profana, J. Larrosa. Leio com carinho, sem desperdício, só quando dá vontade. Estou na metade.
Esvazie-me.
Desfiz-me de todos os papéis cotidianos.
Abri mão de ter coisas e de ser personagens.
Aquietei
Confiei
Ouvi
Morte. Porque o fim é necessário.
VIDA. Porque o vazio é germinativo.

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